QUANTAS COISAS ELAS APRENDEM!
A proposta do Infantário Dom Barreto é a de que os nossos pequenos recebam cuidados e atenção num espaço em que possam explorar, brincar, conhecer-se. Como diz Piaget, a criança não espera para aprender. Curiosa e dona de uma imaginação sem limites, a criança pequena tem necessidade de agir e aprender sobre o mundo que a cerca.
Por isso, procuramos integrar os eixos de trabalho com os espaços cuidadosamente preparados e instrumentalizados para que as atividades se desenvolvam efetiva e naturalmente.Levamos em consideração o Referencial Curricular para a Educação Infantil que tem dois âmbitos de experiência: Formação pessoal e social (construção da Identidade e autonomia) e Conhecimento de mundo (Movimento, música, artes visuais , linguagem oral e escrita e natureza e sociedade).

O eixo Natureza e Sociedade discorre sobre a exploração do quê e de quem está ao seu entorno, é feita com o corpo todo e nas interações com os outros. Por, meio da exploração, da curiosidade, da observação e dos questionamentos que fazem, as crianças buscam entender o como e o porquê dos fenômenos da natureza e da sociedade, pois quanto menores as crianças, mais suas representações e noções sobre o mundo estão associadas aos objetos da realidade conhecida, observada e vivenciada.

Em sala, a criança tem à disposição brinquedos e materiais que a incentivam à expressão artística, estimulam a imaginação e promovem as suas elaborações. No parque, divertem-se pisando na areia, na água e explorando os brinquedos. Mesmo sem saber ler, manuseiam livros, entram no mundo do faz de conta e desenvolvem a linguagem e a imaginação. Muitas vezes, nem conseguem falar e já estão "cantando", envolvidas com ritmos e jogos melódicos. No espaço sensorial, exploram o ambiente, estabelecendo contato com pequenos animais e com as plantas, despertando o interesse pelo mundo natural, observando aconte-cimentos, formulando perguntas confrontando ideias e valorizando sua importância para a qualidade da vida humana.

Na brinquedoteca, o eixo exploração dos objetos, brinquedos e brincadeiras se baseia na ideia de que, brincando, a criança desenvolve a capacidade de imaginar, insere-se na cultura e na sociedade e aprende a viver em grupo. Sozinho ou com os amigos, ela usa todos os recursos de que dispõe para explorar o mundo, ampliar sua percepção sobre ele, organizar o pensamento e trabalhar com afetos e sentimentos. O faz de conta é o primeiro contato da criança com as regras sociais e com o papel de cada um, aprendizado fundamental para a vida em sociedade.

Dentro do eixo Linguagem Oral e Escrita, são trabalhadas questões relativas aos meios de expressão. As crianças, num ambiente propício, ampliam as interações ao participarem de variadas situações de comunicação oral, para interagir, expressar desejos, necessidades e sentimentos.
As crianças se familiarizam com a escrita ao participar de situações nas quais ela se faz presente e, no contato cotidiano com livros e outros portadores do texto escrito, despertando o interesse pela leitura de histórias e contribuindo para que se aproximem cada vez mais da compreensão de como se organiza a linguagem escrita. Por isso, na bebeteca, mesmo antes de saber falar, as crianças são estimuladas a manusear livros e a ouvir histórias. Participar de diferentes formas sociais de comunicação tem um papel fundamental na aprendizagem. Como diz Lev Vygotsky, "a criança só desenvolve a fala no contato com os mais velhos", e a psicolinguista Emília Ferreiro afirma que elas, mesmo não alfabetizadas, devem ter contato com a linguagem escrita.

Na área externa, o eixo Desafios Corporais – Movimento é visto como forma de expressão e está relacionado à significação de si, do outro e do mundo. Com espaço e liberdade para movimentarem-se, as crianças aprendem a medir sua força e seus limites. Como diz Henri Wallon "o movimento é a base da comunicação dos pequenos". A motricidade, portanto, tem caráter pedagógico tanto na qualidade do gesto como por sua representação. Nesse momento, nossas crianças passam por mudanças em relação à capacidade de movimento, estão conquistando controle corporal e o movimento está evoluindo do desordenado à coordenação quase total. Tudo por meio de brincadeiras simples como pular, rolar, dançar, subir e descer, correr, balançar. Pesquisas mostram que as experiências sensoriais e motoras vividas na primeira infância desempenham um papel fundamental na formação do cérebro, por isso em um espaço com almofadas, colchonetes e materiais como bolas, argolas, experimentam novas ações.

A capacidade de se perceber como pessoa que vai se tornando independente ao receber os estímulos é o tema do eixo Identidade e Autonomia, que está relacionando a tudo que a criança faz. No refeitório, esse eixo também é promovido. As cores, cheiros e sabores dos alimentos são estímulos à curiosidade. Num ambiente desafiador e que possibilita interações, a criança age com crescente independência. Ela aponta para pessoas ou coisas de que gosta e decide fazer suas explorações. Ao tomar decisões e fazer escolhas, ganha um sentido de controle e eficácia pessoal, como se dissesse: "Posso fazer isso". Essa sensação é proporcionada quando elas são estimuladas a se alimentarem sozinhas, por exemplo.

Desenvolver o eixo Exploração e Linguagem Plástica significa incentivar os pequenos a deixarem suas marcas. Num primeiro momento, eles produzem riscos, pontos e círculos aleatórios, movidos apenas pelo prazer de produzir. Aos poucos, as experiências vividas evoluem para formas mais definidas.
Mexer com tinta, massa, papel de várias texturas e materiais dá às crianças a possibilidade de experienciarem diferentes técnicas e, assim se aproximarem de uma importante expressão artística e desenvolverem a curiosidade e a criatividade. Por trabalhar com a expressividade, as atividades artísticas também favorecem o desenvolvimento da identidade e da autonomia, ao reconhecerem como seus diversos trabalhos; permitem também o controle motor, a compreensão do espaço e o desenvolvimento da imaginação, fundamentais para a condição humana.
O eixo Linguagem Musical e Expressão Corporal se justifica porque estudos recentes mostram que, mesmo com crianças pequenas, a música possibilita a expressão e a comunicação de sensações. Explorar materiais que produzem ruídos, escutar obras musicais, ficar atentos às melodias no dia a dia permitem o contato com as linguagens musical e também com a corporal, pois sintonizar a música a movimentos pode ser fonte de prazer e possibilidade efetiva para o desenvolvimento motor e aquisição da linguagem verbal. O trabalho com a linguagem musical amplia o repertório das crianças e ensina que a vida é feita de muitos sons. As batidas do corpo, a fala das pessoas queridas, os sons que comunicam (telefone, campainha, carro). Os sons são uma forma de interação com o mundo. Tanto que as primeiras comunicações do bebê são melodias, as lalações, como diz Paula Zaraueski. A música é uma das poucas atividades que mexem simultaneamente com os dois hemisférios do cérebro, e esse estímulo bilateral amplia as vias neurais e, portanto, justifica-se no trabalho de estimulação das crianças.
Unindo as dimensões do EDUCAR e do CUIDAR e tomando-as como práticas que devem caminhar sempre juntas, as educadoras estão sempre atentas aos aspectos centrais do cotidiano, como alimentação, higiene e repouso. Portanto, todos os procedimentos serão realizados por esses profissionais.
No fraldário, um banho de atenção, permitindo que as crianças tenham momentos de higiene individualizados, acompanhados de conversas, livros de borracha, brincadeiras, além de aprendizado sobre cuidados. Esse é um momento da infância que exige sensibilidade da educadora e da família – a retirada da fralda – um dos marcos divisórios da maturidade física e psicológica da primeira infância.

No berçário, a garantia de um bom soninho. As crianças precisam de local tranquilo e confortável para dormir e repor as energias. O sono é importante para a aprendizagem, a regulação da emoção e o crescimento.
E é com todo esse cuidado que pretendemos contribuir na educação dos nossos pequenos.
