Por Vinícius Lopes Braga
A Pontifícia Obra da Infância Missionária foi fundada por Dom Carlos Forbin Janson, Bispo de Nancy, França, no ano de 1843. Essa atividade missionária com as crianças foi motivada pelas cartas e notícias que missionários, principalmente da China, escreviam contando a realidade triste e dura das crianças naquelas regiões: doenças, mortalidade, analfabetismo, abandono...
A finalidade primordial é suscitar o espírito missionário universal das crianças e adolescentes, tornando-os protagonistas da solidariedade e da evangelização e, por meio delas, em todo o povo de Deus: "Ajudar as crianças por meio das crianças", ou "criança evangeliza e ajuda criança", foi o grande lema do Bispo fundador.
Esta obra é um serviço em favor da animação, formação e comunhão missionárias das crianças e de seus animadores, para que cooperem na evangelização universal, especialmente das crianças de todo o mundo, e na solidariedade, partilhando os bens materiais.
Agora vocês já conhecem como a Infância Missionária surgiu no mundo e os seus objetivos então vamos relatar o início deste projeto aqui na nossa escola.
Estávamos no final do ano de 2004 e minha irmã insistia em estudar o último ano do Ensino Médio no Instituto Dom Barreto. Eu vim fazer o teste seletivo e fui aprovado, mas para o ano em que minha irmã se encontrava não aceitavam alunos novatos, portanto minha mãe veio falar pessoalmente com o Professor Marcílio e eu a acompanhei. Tivemos uma empatia maravilhosa desde o primeiro contato. Nessa conversa o Professor Marcílio perguntou o que estava achando de mudar de colégio. Eu respondi que ia sentir falta dos meus amigos, apesar de saber que iria formar novas amizades. O que me inconformava era abandonar o projeto da Infância Missionária que eu coordenava no meu antigo colégio.
Ele disse que sempre teve vontade de colocar um projeto desses no IDB e me convidou para ajudá-lo na implantação. Sinceramente não o conhecia ainda, pensei que eram apenas palavras e que iria passar em branco, afinal ele tão importante se preocuparia com um projeto que era de meu interesse? Surpreendentemente sim! Em fevereiro de 2005, começaram as aulas e logo na primeira semana fui chamado à sala do diretor para colocar em prática a nossa conversa do final de ano. Que maravilha! Aquele diretor ouvia e entendia crianças.
Inicialmente passei a me reunir com os assessores que o Professor Marcílio disponibilizou: o Professor Valdo e a Viviane. Esta última já tinha esta função na igreja do Amparo e foi indicada pela irmã Cacilda. Só para esclarecer, os assessores orientam, motivam e coordenam as crianças, mas deixam que elas mesmas assumam suas responsabilidades e atuem com espontaneidade e liberdade.
Já como coordenador do projeto Infância Missionária no Instituto Dom Barreto, programava as atividades com os assessores e fazia visitas em algumas salas divulgando o projeto; explicando às crianças que era uma atividade espontânea que nós faríamos orações e estudaríamos a palavra de Deus à maneira das crianças: com cânticos, brincadeiras e até visitas externas, como à casa Dom Barreto. Expliquei que cada criança teria preparação para evangelizar mais crianças, teriam estimulo para ser exemplo como ser humano onde eles convivessem: escola, em casa e na comunidade em geral. O projeto ensina a enfrentar dificuldades e a ter persistência e muito mais. Houve muita empolgação e várias crianças ouviram o chamamento de Deus, mas também, muitas desistiram.
O professor Marcílio era um incentivador e um apaixonado pelo projeto. Não media esforços para o sucesso do mesmo. Também disponibilizava todos os recursos físicos e financeiros que precisávamos. Como exemplo, comprou armário, som , livros para dinâmicas e promoveu encontro na Porciúncula com toda a família missionária contando inclusive com a participação especial dele e da irmã Cacilda.
Algum tempo depois recebemos a colaboração de outro assessor, o Professor Nilson que hoje é a chama deste projeto, motivando as crianças e sensibilizando os pais a uma vivência cristã autêntica.
Em 2008, já adolescente, deixei a coordenação da Infância Missionária, mas os frutos nela colhidos permanecerão por toda a minha vida.